Estou sendo invadida no trabalho, na família e em casa! O que fazer?


Seguidora Manu (pseudônimo): Oi, Bárbara! Tudo bem? Há muito tempo sinto que preciso de uma transformação geral na minha vida. Sinto-me sufocada. Moro em um lugar apertado, sem privacidade, barulhento, insalubre(...) Detalhe; me pai paga esse aluguel. Tenho um salário de 1300,00 que não me mantém. Com esse salário pago a TV por assinatura dos meus e o condomínio onde eles moram. Uma forma de me sentir menos mal. Porém, eles têm a chave daqui. E, como eu não pago, não tenho liberdade porque eles podem entrar aqui a qualquer momento e isso invade a minha privacidade. Sou jornalista de formação, curso que sempre quis fazer, mas atuo na área administrativa financeira de uma empresa. Lá eu faço de tudo. Sou recepcionista, copeira, recolho lixo. Me sinto muito desvalorizada. Tenho sentido mal estar físico e sei que tudo é emocional. Quero romper essa barreira, mas não sei como. (...) Pra mim, não morar com eles é uma grande Vitória, mas morar a 300m deles é um inferno. Me ajuda a ter clareza da situação, Bárbara.(...)



Bárbara: Vamos lá Manu!


Toda questão possui pontos objetivos, práticos e de ordem visível, que podem ser resolvidos com boas ideias, organização e planejamento, mas também tem pontos de ordem subjetiva, psicoemocional, que muitas vezes nos sabotam de forma inconsciente.


O primeiro ponto que precisamos entender é: seus pais bancam seu aluguel e você se sente culpada por isso...e por isso paga a tv e o condomínio deles? Se for isso mesmo temos uma situação desnecessária de embaraço financeiro e de responsabilidades.


Este dinheiro que você faz deveria ir primeiramente para suas necessidades básicas como moradia e alimentação e caso você não consiga pagar totalmente o aluguel e outros custos com ele, é normal aceitar uma ajuda (temporária) para completar, mas ao invés disso você paga outros gastos deles, gerando um pacto silencioso de troca de favores (em outras palavras: você fica presa pela culpa: "Com esse salário pago a TV por assinatura dos meus e o condomínio onde eles moram. Uma forma de me sentir menos mal."


Pagar custos de familiares ou ajudar de alguma forma não deve ser algo que vem da culpa. Tem que vir de condições possíveis, viáveis, e de forma secundária (primeiro você) e isto não é egoísmo, é não criar nós que aprisionam as relações. É colocar no lugar certo a responsabilidade de cada um. Quando isso acontece as portas para invasão e desrespeito de limites individuais são fechadas. Você está em um momento emocional delicado pois está sentindo muita invasão em sua vida: dos vizinhos, dos familiares, da empresa. É como se você não existisse, ou existisse apenas para atender demandas alheias e isto tem que acabar, pelo seu bem estar emocional e sua saúde.


Quando estamos assim tudo que a gente pensa é: "se eu tivesse um milhão de reais eu sairia daqui, eu faria tudo diferente, num lugar bem longe..." porque nos sentimos cansados demais para lidar com tudo isso, mas é neste momento que é preciso força de resolução para começar a colocar limites em sua vida, por isso os primeiros pontos que eu colocaria para você são:


1. Colocar tudo em seu lugar: deixar de pagar gastos dos familiares quando você não tem para si mesma, informar que não está em condições financeiras de ajudar no momento, e passar a arcar com os gastos do seu aluguel. Não conheço em detalhes sua realidade mas acredito que esta troca seria financeiramente viável e colocaria muita coisa em seu lugar.


2. Paz e segurança: Com certeza você já deve ter pensado em mudar de locação e já deve ter pesquisado, mas reforço a ideia de procurar outro lugar, mesmo que pequenininho e simples, que te traga mais privacidade, sensação de segurança e paz. Até mesmo alguns hostels ou pousadinhas/airbnb por exemplo e flats - e em SP tem muitos por sinal!! - que são alternativas acessíveis e sem contrato burocrático de aluguel (Ps: caso o barulho te impeça de dormir eu recomendo usar earplugs como uma alternativa temporária - ajudam muito! Eu usava quando morava perto de bares também, para dormir e estudar, e comprava esses daqui: https://dorminhoco.com/produto/192)


3. A chave e a privacidade: ninguém deve ter a chave de sua casa a não ser você. Absolutamente ninguém. Ninguém pode chegar sem avisar, e você não deve ficar com a sensação permanente de "a qualquer momento podem vir", isso acaba com sua saúde mental, não é algo que deve ser nem considerado. Caso você não consiga trocar de local, é preciso mudar a chave de sua casa. E se chegarem sem avisar e ficarem buzinando, telefonando, batendo campainha igual loucos (acredite, sei o que é isso) deixem fazer e não atenda, deixem ligar 60 vezes, e depois diga que saiu, que não estava, não esteja sempre disponível, não se sinta obrigada a atender quando ligam ou enviam mensagem, isto você faz na empresa pois é seu ganha pão, mas nas relações familiares é só abuso mesmo, você não é a extensão de ninguém, você é SUA.


4. O trabalho: deixei o trabalho em 4 lugar porque veja que os tópicos acima são prioridade máxima. Você não se sente segura na própria casa, não tem paz e está numa dinâmica financeira que te deixa refém da invasão familiar, portanto, por mais que o trabalho te sugue e não te valorize, como pensar sobre? Como ter paz mental para se lançar em algo novo, descobrir a área em que quer trabalhar e se organizar para isso?

Se você assistiu a este vídeo: https://youtu.be/S8ywHAm6-Tk você viu logo no comecinho a pirâmide de Maslow, que trata da moradia como necessidade básica de segurança e só depois dela temos as relações familiares. Ou seja, sua casa vem primeiro, sua segurança de que ninguém vai entrar a qualquer momento, vem primeiro. E para isso é preciso reorganizar as responsabilidades financeiras. (passo 1). Depois de alinhadas essas questões é possível refletir: posso tirar esses 40 dias de férias para pensar sobre a vida profissional? Posso buscar uma ajuda profissional gratuita no sebrae/senac/outros, posso buscar material na internet? Posso fazer algum tipo de freela ou entrar em contato com outras empresas? Existe algo em que sou boa e que pode me dar uma renda extra no momento até que eu me organize? - são inúmeras opções e sei que você já deve ter pensado em algumas, mas sem o mínimo de paz em casa e com essa troca "financeira" injusta considero muito difícil ter a clareza para ter ideias inovadoras e visualizar soluções no trabalho principalmente porque você não está se sentindo digna, respeitada nem segura suficiente para fazer mudanças.


Manu, sei que tudo que escrevi é difícil de ser executado, e realmente como não sei dos detalhes de sua realidade podem ter faltado algumas observações, e talvez você até encontre soluções melhores do que essas, mas uma das coisas que mais deixa difícil esta situação é a sensação de culpa. Mesmo invadida você se sente culpada, mesmo desrespeitada você traz para si responsabilidades que não são suas, mesmo sugada e cansada você se coloca sempre disponível. Sua vida É SUA. É meu desejo que isso fique claro para você. Aprendemos a nos sentirmos culpados por não deixar nossa vida aberta para os outros o tempo todo, mas ela não foi feita para ser assim.


Não se sinta culpada por querer o melhor para si, e principalmente por perceber que isso incluir colocar tudo em seu lugar, devolver responsabilidades que não são suas, criar limites e tirar os pesos que não são seus.


Você vai levar sua vida para onde seu coração pede. Você vai encontrar a leveza e a alegria, mas para isso é preciso primeiro parar de carregar essa culpa e assumir que você precisa se bancar primeiro, e que precisa de respeito em seu ambiente para poder começar a ser uma única pessoa: você mesma. (E deixar de ser de todo mundo.) Esses passos que vão parecer dramáticos para sua família (nossa!!! ela trocou de chave, ela não atende a gente mais, não ajuda mais...!!) são essenciais para você. E não fazem de você alguém ruim. Então, aprenda a se ouvir e agir de acordo consigo, mesmo que o drama alheio pareça assustador.



Filme recomendado: Dogville (cenas muito fortes para pessoas sensíveis mas muito importante para entender o processo da individuação)


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